Golfinhos ajudam pescadores a capturar peixe

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Publicado em Notícias

 

      Fábio Daura-Jorge
No Brasil, o comportamento dos golfinhos de Laguna, é completamente invulgar. Estes
mamíferos marinhos ajudam regularmente os pescadores locais a capturar peixe.
 
Um estudo, recentemente publicado no jornal Biology Letters, vem agora fornecer pistas sobre como estes golfinhos têm mantido uma colaboração duradoura com as pessoas, avança a Science.
 
Segundo Simon Ingram, biólogo marinho da Universidade de Plymouth, Reino Unido, embora ainda não seja claro se os golfinhos conseguem comida com esta ajuda ou beneficiam de outras maneiras, tanto as pessoas como os mamíferos marinhos pescam assim há várias gerações. No entanto, algo intriga o co-autor do estudo: apenas um terço da lagoa, mais de 50 golfinhos (cujos sexos e parentesco ainda têm de ser determinados), participam regularmente na tradição e alguns deles já ganharam apelidos com os habitantes locais como ‘Scooby’ ou ‘Caroba’. Os outros ficam à margem, evitando as pessoas. “Por que razão não têm todos os mesmo comportamento?”, questiona Simon Ingram.
 
O grupo de cientistas foi então observar como os golfinhos  (Tursiops truncatus) de Laguna nadavam para explorar se estes animais interagiam uns com os outros ou se alguns passavam mais tempo com apenas alguns amigos, isolando indivíduos de fora.
 
A equipa descobriu que a maior parte dos golfinhos demonstrou ser bastante igualitária. Alguns animais vadios podiam nadar juntos por algum tempo para, em seguida, separarem-se e juntarem-se a outro grupo. Os golfinhos que ajudavam os pescadores locais tendiam também a nadar em grupo ao passo que os indivíduos que não participavam neste ‘trabalho’ mantinham-se mais no seu ‘próprio mundo’.
 
Para o co-autor do estudo, Fábio Daura-Jorge, biólogo marinho da Universidade Federal de Santa Catarina, no Brasil, este comportamento sugere que pode estar implicada uma aprendizagem. Ou seja, os golfinhos com laços mais apertados podem estar mais inclinados a imitar comportamentos exclusivos uns dos outros.
 
De acordo com os cientistas, os golfinhos e os seus parentes podem trocar comportamentos exclusivos de animal para animal. Os jovens golfinhos que vivem em Shark Bay, Austrália, por exemplo, aprendem com as mães a cobrir os narizes com esponjas mortas, um truque que os impede de ficarem arranhados.
 
Algo semelhante pode estar a acontecer no Brasil, acredita Fábio Daura-Jorge. Aqui, o biólogo brasileiro viu as mães empurrar gentilmente os seus descendentes em direcção ao peixe como que a dar-lhes uma lição no pastoreio de peixes. Se for esse o caso, então este comportamento estranho pode ter durado muito tempo em grande parte porque os juvenis estão interessados em copiar o que fazem os mais velhos. Mas, acrescenta o cientista, a equipa não pode colocar de lado a hipótese de a tradição derivar da genética; alguns golfinhos podem ser biologicamente inclinados a caçar desta maneira.
 
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