Golfinho é o primeiro mamífero que capta sinais elétricos

sábado, 30 julho 2011
Publicado em Notícias

 
Um novo estudo mostrou que o golfinho pode sentir uma presa através de campos eléctricos. Os pesquisadores notaram que as estruturas sobre a cabeça do animal são provavelmente órgãos sensoriais, que poderiam detectar campos eléctricos na água.
 
A eletro-recepção é bem conhecida em peixes e anfíbios, mas até agora o único exemplo de mamífero com a capacidade era o ornitorrinco. O ornitorrinco é um mono tremado, um subgrupo de mamíferos que põem ovos.
 
O golfinho é considerado o primeiro “verdadeiro” mamífero que capta sinais eléctricos Com a nova descoberta, os cientistas dizem que é possível que outros cetáceos apresentem a mesma capacidade.
 
O boto-cinza (Sotalia guianensis), parente do golfinho comum, vive em torno da costa leste da América do Sul. Como todos os cetáceos com dentes, ele caça e localiza
suas presas usando o som.
 
Agora, os pesquisadores têm mostrado que, a curta distância, ele também pode sentir sinais eléctricos.
 
Os botos não são tão sensíveis como tubarões e raias, mas podem detectar sinais do mesmo tamanho que os produzidos na água quando os peixes movem seus músculos.
 
“Esse animal se alimenta no fundo do mar com frequência, e vive em águas onde pode haver uma grande quantidade de lodo e lama. A ecolocalização não funciona em escala muito próxima, assim, a eletro-localização pode ser uma boa opção”, explica o alemão Wolf Hanke, líder do estudo.
Os botos-cinza são raros, mas foram mantidos em cativeiro no zoológico de Muenster, na Alemanha.

 
Os pesquisadores ficaram curiosos sobre a função de pequenas depressões no rosto (“bico”) do golfinho – a parte da frente, projectando da cabeça e contendo as mandíbulas.
 
Quando um dos animais morreu, foi estudado. As depressões – conhecidas como criptas – são preenchidas com “bigodes” quando os golfinhos estão crescendo no útero, que depois desaparecem.
 
Mas as criptas ainda pareciam envolvidas na detecção de alguma coisa. Para ver se agiam como eletro-receptores, os pesquisadores treinaram o último boto que restava no zoológico.
 
O animal devia colocar sua cabeça em uma “estação de repouso”, onde eléctrodos emitiam um minúsculo sinal eléctrico para a água. Quando um sinal aparecia, o golfinho recebia uma recompensa se nadasse para longe. Sem o sinal, recebia uma recompensa se ficasse parado.
 
Mais tarde, os pesquisadores colocaram uma cobertura de plástico acima das linhas das criptas do boto, bloqueando qualquer sensor elétrico. O animal permaneceu parado mesmo com o sinal elétrico.
 
Os experimentos comprovaram que o animal podia sentir os sinais elétricos, e que as criptas eram de fato os órgãos responsáveis.
 
No futuro, os pesquisadores planejam investigar se outros cetáceos possuem a mesma capacidade. “Podemos fazer planos para viajar para a América do Sul e estudar os golfinhos em estado selvagem”, diz Hanke.