Setúbal: Vice-presidente da Quercus quer novas regras para preservar golfinhos

segunda, 19 maio 2008
Publicado em Notícias

O ambientalista Francisco Ferreira afirmou hoje (19) que a sobrevivência da comunidade de golfinhos-roazes do estuário do Sado depende da adopção de novas regras para disciplinar a náutica de recreio e o percurso dos novos ferry-boats para Tróia.

"Aquilo que é necessário é definir as medidas de curto prazo e imediatas, que podem ser implementadas desde já -- trajectória dos ferries e navegação das embarcações de recreio --, e resolver problemas de qualidade da água, dos sedimentos e das obras portuárias no estuário do Sado", disse Francisco Ferreira, vice-presidente da Quercus.

O dirigente da Quercus falava à Lusa durante o primeiro encontro de preparação do Plano de Acção para a salvaguarda e Monitorização do Estuário do Sado, que decorreu nas instalações da Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra (APSS), com a participação de diversas entidades locais e empresas, como a Lisnave, Portucel e Sonae Turismo.

Como lembrou o dirigente da Quercus, as associações ambientalistas entregaram em Bruxelas uma queixa contra a localização do novo cais dos ferries em Tróia numa zona da Rede Natura 2000, por considerarem que a nova infra-estrutura poderia pôr em causa a sobrevivência dos golfinhos.

Por outro lado, os ambientalistas alegam que o percurso dos novos ferries que vão fazer a ligação fluvial Setúbal/Tróia colide com as trajectórias dos golfinhos.

As preocupações dos ambientalistas não parecem preocupar demasiado a directora do Departamento de Gestão de Áreas Classificadas como Zonas Húmidas, Maria João Burnay, que acredita na possibilidade de se encontrarem soluções de consenso para minimizar o problema.

"Não se podem ir fazer travessias para cima das rotas dos golfinhos. Temos de encontrar percursos alternativos, porque senão não estávamos aqui a fazer nada", disse à Lusa Maria João Burnay, convicta de que será possível chegar a um entendimento com a Sonae, proprietária do empreendimento turístico de Tróia e dos novos ferries.

"A Sonae, estando neste grupo de trabalho e tendo assinado com o ICNB [Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade] um compromisso de 'Business & Biodiversisty', com certeza que as coisas não ficarão apenas no papel e que serão tomadas as necessárias providências", disse.

Segundo a bióloga marinha Raquel Gaspar, a comunidade de golfinhos-roazes do estuário do Sado, que tem vindo a diminuir progressivamente nos últimos anos, tem actualmente 17 elementos adultos, mas destes apenas três são jovens com possibilidades de se reproduzirem.

O Plano de Acção para a salvaguarda dos golfinhos do estuário do Sado, que deverá estar concluído até final deste ano, deverá ser elaborado em conjunto pelo ICNB, associações ambientalistas e empresas que exercem a actividade junto ao estuário do Sado.

fonte: Lusa